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Cultura à Milanesa

DOCUMENTÁRIO EXU E O UNIVERSO FAZ SUA ESTREIA NO FESTIVAL DO RIO, NA PRÓXIMA SEXTA (14)

O nigeriano Bàbálórìsà Adesiná Síkírù Sàlámì, mais conhecido como Prof. King, está ao centro do documentário EXU E O UNIVERSO, de Thiago Zanato, que terá sua première mundial na próxima sexta (14/10), às 17h, Estação Net Gávea, como parte da programação do Festival do Rio, em sessão apenas para convidados. No dia seguinte, 15/10, às 10h30, seguida de debate, no Cine Odeon – CCLSR. A produção é assinada por Druzina Content, Livres Filmes e Thiago Zanato. Mais informações sobre as exibições, no final do release.

Produzido ao longo de 5 anos, o filme dá voz ao Prof King, um carismático professor nigeriano que imigrou para o Brasil nos anos 80, e se tornou um proeminente intelectual e estudioso. Há 30 anos, ele luta para mudar a percepção da cultura e religião africana no Brasil e no mundo. Ele abriu um centro cultural e escreveu vários livros, mas o seu projeto mais importante ainda não foi concluído: um dicionário Iorubá no qual ele trabalha há quase 20 anos, no qual as palavras sagradas Iorubá são devidamente traduzidas e seu real significado é revelado – palavras como “Èṣù”.

Exu é uma palavra de apenas 3 letras, que carrega uma história fascinante e mal conhecida. A gente tem que respeitar essa história e concertar ela”, explica Zanato, que já pesquisava sobre religiões antes de realizar o documentário, e conheceu o Prof King por intermédio de Marco Antônio Ferreira, que, posteriormente, iria assinar a direção de fotografia do filme.

Eu fazia uma pesquisa cinematográfica sobre retratos de religiões como forma de resistência, contra processos opressores, colonialistas e capitalistas, que não dão espaço a outras religiões continuarem existindo. Quando conheci o Prof King entendi que a visão de mundo dele era bem particular e interessante, e bastante diferente da visão ocidental.

O professor já era bem familiarizado com o Brasil, pois morou, e realizou mestrado e doutorado, ambos em sociologia, na USP nos ano de 1990. “Fiquei fascinado e curioso com o que ele tinha para falar. E ele gostou de mim, porque também tenho essa abertura para entender sobre os temas. O filme chama Exu e o Universo, uma visão do universo a partir do pontos de vista da cultura Ioruba e do Prof King.”

O roteiro de EXU E O UNIVERSO é assinado por Zanato, o Prof King e o músico Marcos “Nasi” Valadão, que faz parte da comunidade do professor. “O Nasi estava na Nigéria e o Prof King falou para ele que queria fazer um registro do que eles faziam ali. É realmente incrível. Todos os sacerdotes de Orixás ali reunidos fazendo os rituais mas também os lugares importantes na Nigéria que o Prof. King. conhece muito bem e nos apresentou.”

Zanato e sua equipe fizeram mais de 200 horas de filmagens, no Brasil, Nigéria e na Europa, acompanhando o Prof King. Para o filme, o diretor partiu da leitura do livro Exu e a Ordem do Universo, do próprio professor, e, a partir daí, conversou muito com ele e o próprio Nasi, discutindo questões e temas relacionados ao filme. “Exu é uma força organizadora de tudo, de todos os orixás. Foi meio orgânico, li o livro, fomos nos lugares, tudo foi se encaixando. Fomos construindo o roteiro ao longo da pesquisa. E outras coisas que foram aparecendo ao longo do caminho, como achar a pessoa do Google que consertou a tradução de Exu.”

EXU E O UNIVERSO é fundamental para o Brasil do presente. “Estamos numa encruzilhada, um momento de escolhas. Decidir onde vai não só o país, mas o mundo todo. É uma análise de como chegamos até aqui.”

O filme é uma desconstrução dos pré-conceitos sobre as culturas e religiões de matrizes africanas. A gente ainda vive num clima que é marcado pelos processos históricos opressores, e é difícil se desvincular deles. EXU E O UNIVERSO é um grito de esperança, uma homenagem a Exu para que a história possa ser reescrita do jeito correto para termos um futuro mais justo e menos opressor.”

EXU E O UNIVERSO no Festival do Rio

  • Dia 14/10 às 17h: Sessão para convidados, no Estação Net Gávea – R. Marquês de São Vicente, 52, Gávea
  • Dia 15/10 às 10h30: Sessão aberta ao público, seguida de debate, no Cine Odeon – CCLSR – Praça Floriano, 7, Cinelândia

 

Sinopse

Exu e o Universo é um filme sobre a descolonização do pensamento e a influência do povo Iorubá na diáspora. No Brasil, um país onde a liberdade religiosa está sob ataque e o racismo é sistêmico, um Nigeriano e sua comunidade lutam para provar que Exu não é Diabo.

 

Ficha Técnica:

Direção: Thiago Zanato

Roteiristas: Prof. King, Thiago Zanato, Marcos “Nasi” Valadão

Produção: Chica Barbosa, Prof. King, Marcos “Nasi” Valadão

Direção de Fotografia: Marco Antônio Ferreira

Edição: Danilo Santos

Som: Thiago Zanato, Fred França, Raul Costa and Tales Manfrinato

Edição de Som e Mixagem: Tiago Bello

Cor e finalização: MIA – Marcelo Rodriguez

Produtoras: Druzina Content e Livres Filmes

 

Sobre Thiago Zanato

Thiago Zanato é um cineasta brasileiro que divide seu tempo entre Los Angeles e São Paulo. O seu trabalho centra-se nas questões sociais e na estética da representação. Envolveu-se no cinema como Diretor Criativo em projetos como “I’m Here” (Sundance, 2010), dirigido por Spike Jonze e “NY-Z”, com Jay-Z e dirigido por Danny Clinch.

Dirigiu o curta-metragem “La Flaca” sobre uma mulher transgênero mexicana e líder do culto à Santa Muerte em Queens, Nova Iorque. O filme ganhou diversos prêmios e entrou em mais de 100 festivais de cinema ao redor do mundo, entre eles: Fribourg International Film Festival, Message to Man, Festival de la Habana, Guanajuato International Film Festival, Frameline, Encounters Film Festival, MIX Brasil, Panorama Internacional de Cinema, Curta Cinema.

Atualmente estreia seu primeiro longa-metragem “Exu e o Universo”, um documentário sobre liberdade de culto, a descolonização do pensamento e a influência do povo Iorubá Africano. Desenvolve também seu primeiro longa-metragem de ficção, produzido entre os Estados Unidos e México.

 

Sobre o Prof King

O Bàbálórìsà Adesiná Síkírù Sàlámì, o Babá King, filho de uma importante linhagem real, nasceu na cidade de Abéòkúta, no Estado de Ògún, na Nigéria. Sacerdote iorubá há décadas, reside no Brasil desde 1983. Iniciou sua trajetória espiritual ainda na infância, tendo sido iniciado em Ifá-Orúnmìlà, Ìyámi Òsòròngà, Egúngún, diversos outros orixás e também no conhecimento das plantas. Ocupa diversas posições hierárquicas de grande importância na Nigéria, entre as quais o título de Bàbá Egbé da Sociedade dos Babalaôs de Abéòkúta. É também fundador de um grande templo de orixás em Abéòkúta, Nigéria, e de um dos maiores templos de orixás no Brasil, o Oduduwa Templo dos Orixás, com 6.300 metros de terreno de frente para o mar e mais de 2.500 metros de área construída na cidade de Mongaguá, no litoral paulista.

Formado em Administração de Empresas, Babá King concluiu o Mestrado em 1993 e o Doutorado em 1999, ambos em Sociologia, pela Universidade de São Paulo. O conjunto de suas preocupações com questões relativas à África Negra o levaram a dedicar-se a pesquisas, recorrendo às fontes da oralidade iorubá e a grandes mestres tradicionalistas na África. Suas pesquisas deram origem a livros, vídeos e registros em áudio, além de palestras, entrevistas e cursos em diversos países. As peculiaridades de sua trajetória permitem que, como pesquisador, tenha acesso privilegiado à Religião Tradicional Iorubá, uma vez que é um sacerdote nativo desta etnia. Permitem, inversamente, que sistematize conhecimentos orais e os apresente a seus discípulos com uma sólida metodologia acadêmica.

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